sábado, 30 de maio de 2015

Funções da Linguagem


Função Emotiva (ou Expressiva). Esta função ocorre quando se destaca o emissor. A mensagem centra-se nas opiniões, sentimentos e emoções do emissor, sendo um texto completamente subjetivo e pessoal. A ideia de destaque do locutor dá-se pelo emprego da 1ª pessoa do singular, tanto das formas verbais, quanto dos pronomes. A presença de interjeições, pontuação com reticências e pontos de exclamação também evidenciam a função emotiva ou expressiva da linguagem. Os textos que expressam o estado de alma do locutor, ou seja, que exemplificam melhor essa função, são os textos líricos, as autobiografias, as memórias, a poesia lírica e as cartas de amor. Essa é a função emotiva.

Pelo amor de Deus, preciso encontrar algo, nem que sejam cinco reais!

Função Referencial (ou Denotativa). Referente é o objeto ou situação de que a mensagem trata. A função referencial privilegia justamente o referente da mensagem, buscando transmitir informações objetivas sobre ele.

“Nos vertebrados, esta resposta inclui uma série de alterações bioquímicas, fisiológicas e imunológicas coletivamente denominadas inflamação." Descrição da inflamação em um artigo científico.

Função Apelativa (ou Conotativa). É voltada para o leitor, tom imperativo, e muito encontrada em propagandas. A mensagem é centrada no receptor e organiza-se de forma a influenciá-lo, ou chamar sua atenção, o contexto torna-se a parte mais importante da mensagem. Geralmente, usa-se a 2ª pessoa do discurso (tu/você; vós/vocês), vocativos e formas verbais ou expressões no imperativo. Como essa função é a mais persuasiva de todas, aparece comumente nos textos publicitários, nos discursos políticos, horóscopos e textos de autoajuda. Como a mensagem centra-se no outro, ou seja, no interlocutor, há um uso explícito de argumentos que fazem parte de seu universo. 

"Beba Coca-Cola"

"Vem pra caixa você também, vem!"

Função Fática. O canal é posto em destaque, ou seja, o canal que dá suporte à mensagem. Ocorre quando o emissor tem a intenção de testar o canal. A Função Fática seria basicamente o dialogo, por exemplo: "Alô ?!", "Entenderam ?", Etc...É também a função empregada, quando no decorrer de uma conversa, emitimos sons: “ heim! “, “ hum-hum!”.

Função Poética. É aquela que se centra sobre a própria mensagem. Tudo o que, numa mensagem, suplementa o sentimento da mensagem através do jogo de sua estrutura, de sua tonalidade, de seu ritmo, de sua sonoridade. Essa função é capaz de despertar no leitor o prazer estético e surpresa. É explorado na poesia e em textos publicitários. Exemplo: o poema de Carlos Drummond de Andrade "Quadrilha"

João amava Teresa que amava Raimundo 
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Função Metalinguística. Caracterizada pela preocupação com o código. Pode ser definida como a linguagem que fala da própria linguagem, ou seja, descreve o ato de falar ou escrever. A linguagem (o código) torna-se objeto de análise do próprio texto. Os dicionários e as gramáticas são repositórios de metalinguagem.

“Lutar com palavras é a luta mais vã. Entretanto lutamos mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco. Algumas, tão fortes como o javali. Não me julgo louco. Se o fosse, teria poder de encantá-las. Mas lúcido e frio, apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. Deixam-se enlaçar, tontas à carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem há sevícia que as traga de novo ao centro da praça.” Carlos Drummond de Andrade

Nesse poema, Drummond escreve um poema sobre como escrever poemas... Ou seja, a criação literária fala sobre si mesma. 

Em resumo, funções da linguagem é o conjunto de objetivos realizados pelos enunciados.

A mais conhecida divisão das funções da linguagem foi formulada por Roman Jakobson, num texto que tem como título Linguística e Poética. Trata-se de uma conferência, proferida em 1956, na qual o autor esboçava a comparação entre a linguagem quotidiana e a poesia. O texto desta conferência viria a ser publicado, pela primeira vez, com o título “Closing Statements: Linguistics and Poetics e posteriormente inserido no volume 1 dos Essais de Linguistique Générale”.

Cada função corresponde a um elemento do esquema da comunicação do mesmo autor.


EMISSOR
REFERENTE/CONTEXTO
RECEPTOR

CANAL DE COMUNICAÇÃO
MENSAGEM

CÓDIGO

A função dominante dentro dos processos da comunicação é a função referencial, baseada no contexto. Possibilita a transmissão de informações relevantes para os participantes do ato de comunicação. Realiza-se, principalmente, através da operação de denotação.
  • A função fática, baseada no contacto, serve para estabelecer ou manter laços entre o receptor e o emissor.
  • A função emotiva (também chamada expressiva) baseia-se no destinador e tem como objetivo apresentar a sua atitude ou estado emocional
  • A função apelativa (ou conotativa), orientada ao destinatário, serve para expressar enunciados persuasivos como a sugestão ou a ordem.
  • A função poética, baseada no comunicado em si, pretende criar uma realidade nova através dos valores estéticos do signo linguístico.
  • A função metalinguística serve como suporte para o próprio código. Possibilita a reflexividade, quer dizer, aporta informação ou tece comentários sobre o código em si.
Geralmente, as funções da linguagem interatuam de forma muito complexa. Em cada enunciado, além de uma função dominante, podem-se distinguir outras funções secundárias.

Bibliografia

http://www.infopedia.pt/
BRÉHIER, E. “La Théorie des Incorporels dans l’Ancien Stoïcisme”. Paris, Lib. Vrin, 1928;
DELEUZE, Gilles. Logique du Sens”. Paris, ed. de Minuit, 1966;
GODSCHMIT, Victor. “Le Système du Temps et l’Idée de Temps”. Paris, Lib. Vrin, 1985;
JAKOBSON, Roman. “Closing Statements: Linguistics and Poetics”, in T. A. Sebeok, ed., Style in Language, New York, 1960 (texto inserido em Roman Jakobson, Essais de Linguistique Générale, vol. 1, Paris, ed. de Minuit, 1963, reimpresso em 1986, páginas 209-248).

domingo, 1 de maio de 2011

Biografia: Chefe Noah Sealth

CHEFE INDIO NOAH SEALTH
Seattle Sunday Star del 29 de Octubre de 1.887


 No ano de 1854, o chefe índio Noah Sealth repondeu de uma forma muito especial a proposta do presidente Franklin Pierce para a criação de uma reserva indígena e acabar com os emfrentamentos entre índios e brancos. Supostos despojos das terras indígenas.
No ano de 1855 se firmou o tratado de Point Elliot, com o que se consumava os depojos das terras e dos nativos índios. Noah Sealth, com sua resposta ao presidente, crio o primeiro manifesto em defesa do meio ambiente e da natureza que se perdurou pelo tempo. O chefe índio morreu em 7 de junho de 1866 na idade de 80 anos. Suas memórias e palavras se propagam ainda pelo tempo.


BIOGRAFIA
Chefe Seattle (Sealth , Seathl ou ahth ) nasceu por volta de 1786 em Blake Island, Washington. Seu pai, Schweabe , foi o líder da tribo Suquamish, e sua mãe era Scholitza do Duwamish .
Foi o líder das tribos ameríndias Suquamish e Duwamish no que hoje é conhecido como o estado de Washington. Sendo uma figura proeminente entre o seu povo, converteu-se ao catolicismo e buscando um caminho de acomodação para os colonos brancos, com uma estreita relação pessoal com David Swinson "Doc" Maynard.
Seattle ganhou sua reputação como um líder jovem e guerreiro, emboscando e derrotando os grupos de inimigos invasores que vieram do Rio Verde, no sopé da montanha Cascade, atacando Chemakum e  S'Klallam, as tribos que vivem na Olympic Península. Ele também foi um orador notável, e sua voz disse que vem até a meia milha de distância ou mais em seu caminho para uma audição.
Casou-se com duas mulheres, tendo a vila a leste da Tola'ltu Duwamish Chefe de Elliott Bay (agora parte da West Seattle). Sua primeira esposa morreu ao dar à luz seu primeiro filho. Tinha mais filhos e filhas com sua segunda esposa. Todos os seus descendentes também foram batizados e cresceram na fé, e sua conversão marcou seu surgimento como um líder que busca a cooperação com os novos colonos americanos.
Ele faleceu em 07 de junho de 1866 na reserva Suquamish em Port Madison, Washington. (a norte de Bainbridge Island e leste de Poulsbo).
LER A CARTA


BIOGRAFIA: PRESIDENTE FRANKLIN PIERCE


Franklin Pierce (Hillsborough, 23 de novembro de 1804Concord, 8 de outubro de 1869) foi o 14º Presidente dos Estados Unidos entre 1853 e 1857. Genial e bom orador, Pierce era um Democrata do norte que via o movimento abolicionista como uma ameaça fundamental à união do país. Suas ações polarizantes ao assinar o Ato de Kansas-Nebraska e impor o Ato do Escravo Fugitivo falharam em conter o conflito interseccional, armando cenário para a Guerra de Secessão e deixando-o amplamente considerado como um dos piores presidentes norte-americanos.
Nascido em Nova Hampshire, Pierce serviu na Câmara dos Representantes e no Senado até renunciar do segundo em 1842. Sua advocacia particular foi um sucesso; ele foi nomeado promotor de seu estado em 1845. Pierce participou da Guerra Mexicano-Americana como General de Brigada. Visto pelos Democratas como candidato para apaziguar os interesses do norte e do sul, foi nomeado pelo partido para concorrer a presidente. Pierce e seu running mate William R. King facilmente derrotaram os candidatos do Whigs Winfield Scott e William Alexander Graham na eleição de 1852.

A Carta do Chefe Índio Sealth

"O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. Há uma ligação em tudo".
No ano de 1854, o presidente dos Estados Unidos fez a uma tribo indígena a proposta de comprar grande parte de suas terras, oferecendo, em contrapartida, a concessão de uma outra "reserva". O texto da resposta do Chefe Seatle, distribuído pela ONU (Programa para o Meio Ambiente) e aqui publicado na íntegra, tem sido considerado, através dos tempos, um dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do meio ambiente.
"Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.
Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.
Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.
Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.
Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.
Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todos as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos.
Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência. "

O Rei e o Falcão

A PARÁBOLA DO REI E O FALCÃO
Conta a lenda que, certa manhã, o guerreiro mongol Gengis Khan e sua tropa saíram para caçar. Enquanto seus companheiros levavam flechas e arcos, Gengis Khan carregava apenas seu falcão favorito no braço. O animal era melhor e mais preciso que qualquer flecha, porque podia subir ao céu e ver tudo o que o ser humano não conseguia ver.
Entretanto, apesar de todo o entusiasmo, o grupo não conseguiu encontrar nada. Decepcionado, Gengis Khan voltou para o acampamento. Mas, para não descarregar sua frustração em seus companheiros, separou-se da comitiva e resolveu caminhar sozinho.
Gengis Khan permanecera na floresta mais tempo que o esperado e estava extremamente cansado e com muita sede. Por causa do calor do verão, os riachos estavam secos. Ele não conseguia encontrar água para beber, até que avistou um fio de água descendo por um rochedo bem à sua frente. Na mesma hora, retirou o falcão do braço e pegou o pequeno cálice de prata que sempre carregava consigo. Era apenas um fio de água que corria pelo rochedo, por isso ele demorou um longo tempo para ele conseguir encher o cálice. Mas quando estava prestes a levá-lo à boca, o falcão levantou vôo e arrancou o copo de sua mãos, atirando-o longe.
Gengis Khan ficou furioso, mas era seu animal favorito, talvez também estivesse com sede. Apanhou o copo, limpou a poeira e tornou a enchê-lo. Após outro tanto de tempo, com a sede apertando cada vez mais e com o cálice já pela metade, o falcão o atacou novamente, derramando o líquido.
Gengis Khan adorava seu animal, mas sabia que não podia deixar-se desrespeitar em nenhuma circunstância, já que alguém podia estar assistindo à cena de longe e mais tarde contaria aos seus guerreiros que o grande conquistador era incapaz de domar uma simples ave.
Desta vez, tirou a espada da cintura, pegou o cálice, recomeçou a enchê-lo. Manteve um olho na fonte e outro no falcão assim que viu ter água suficiente e quando estava pronto para beber, o falcão de novo levantou voo e veio em sua direção Gengis Khan, em um golpe certeiro, atravessou a espada no peito do falcão, matando-o.
Ele retomou o trabalho de encher o cálice. Mas o fio de água havia secado. Decidido a beber aquela água de qualquer maneira, Gengis Khan escalou o rochedo em busca da fonte. Para sua surpresa, havia realmente uma poça de água e, no meio dela, morta, uma das serpentes mais venenosas da regia-o Se tivesse bebido a água, teria morrido imediatamente.
Gengis Khan voltou ao acampamento trazendo o falcão morto nos braços e dizendo para si mesmo:
_____ Hoje aprendi uma triste lição! Muitas vezes nos precipitamos em jugar e agir, ferindo assim a quem mais nos ama e chega a dar a sua vida por nós...
Ele mandou fazer uma reprodução em ouro da ave e gravou em uma das asas:
"Mesmo quando um amigo faz algo que você não gosta, ele continua sendo seu amigo."
E, na outra:
"Qualquer ação motivada pela fúria é uma ação condenada ao fracasso, pois nem sempre o que parece ser, realmente é!"

O Sentido da Vida

 A PARÁBOLA DO SENTIDO DA VIDA
As sandálias do discípulo fizeram um barulho especial nos degraus da escada de pedra que levavam aos porões do velho convento.
Era naquele local que vivia um homem muito sábio. O jovem empurrou a pesada porta de madeira, entrou e demorou um pouco para acostumar os olhos com a pouca luminosidade.
Finalmente, ele localizou o ancião sentado atrás de uma enorme escrivaninha, tendo um capuz a lhe cobrir parte do rosto. De forma estranha, apesar do escuro, ele fazia anotações num grande livro, tão velho quanto ele.
O discípulo se aproximou com respeito e perguntou, ansioso pela resposta:
_____ Mestre, qual o sentido da vida?
O idoso monge permaneceu em silêncio. Apenas apontou um pedaço de pano, um trapo grosseiro no chão junto à parede. Depois apontou seu indicador magro para o alto, para o vidro da janela, cheio de poeira e teias de aranha.
Mais do que depressa, o discípulo pegou o pano, subiu em algumas prateleiras de uma pesada estante forrada de livros. Conseguiu alcançar a vidraça, começou a esfregá-la com força, retirando a sujeira que impedia a transparência.
O sol inundou o aposento e iluminou com sua luz estranhos objetos, instrumentos raros, dezenas de papiros e pergaminhos com misteriosas anotações.
Cheio de alegria, o jovem declarou:
_____ Entendi, mestre. Devemos nos livrar de tudo aquilo que não permita o nosso aprendizado. Buscar retirar o pó dos preconceitos e as teias das opiniões que impedem que a luz do conhecimento nos atinja. Só então poderemos enxergar as coisas com mais nitidez.
Fez uma reverência e saiu do aposento, a fim de comunicar aos seus amigos o que aprendera.
O velho monge, de rosto enrugado e ainda encoberto pelo largo capuz, sentiu os raios quentes do sol a invadir o quarto com uma claridade a que se desacostumara. Viu o discípulo se afastando, sorriu levemente e falou:
_____ Mais importante do que aquilo que alguém mostra é o que o outro enxerga. Afinal, eu só queria que ele colocasse o pano no lugar de onde caiu.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Normas para Transcrição

 

Normas Urbanas Cultas: NURC/SP nº 338 EF, 331 D2 e 153 D2

OCORRÊNCIAS

SINAIS

EXEMPLIFICAÇÃO

Incompreensão de palavras ou segmentos

( )

Do nível de renda...( )Nível de renda nominal...

Hipótese do que se ouviu

(hipótese)

(estou) meio preocupado(com o gravador)

Truncamento (havendo homografia, usa-se acento indicativo da tônica e/ ou timbre)

/

E come/ e reinicia

Entonação enfática

maiúsculas

Porque as pessoas reTÊM moeda

Alongamento de vogal ou consoante (como s, r)

:: podendo aumentar para :::: ou mais

Ao emprestarem os... éh::: ... o dinheiro

Silabação

-

Por motivo tran-as-ção

Interrogação

?

E o banco... Central... certo?

Qualquer pausa

...

São três motivos... ou três razões... que fazem com que se retenha moeda... existe uma... retenção

Comentários descritivos do transcritor

((minúsculas))

((tossiu))

Comentário que quebram a seqüência temática da exposição; exposição; desvio temático

-- --

... a demanda da moeda -- vamos dar essa notação -- demanda de moeda por motivo

Superposição, simultaneidade de voz

Ligando as linhas

A. na casa da sua irmã

B. sexta-feita?

A. fizeram lá...

B. cozinharam lá?

Indicação de que a fala foi tomada ou interrompida em determinado ponto. Não no seu inicio, por exemplo.

(...)

(...) nós vimos que existem...

Citações literais, reprodução de discurso direto ou leituras de textos, durante a gravação

“ ”

Pedro Lima...ah escreve na ocasião... “O cinema falado em língua estrangeira não precisa de nenhuma baRREIra entre nós”...

 

OBSERVAÇÕES:

  • Iniciais maiúsculas: não se usam em inicio de períodos, turno e frases;
  • Fáticos: ah, éh, eh, ahn, ehn, uhn, tá (não por está: tá? Você está brava?);
  • Nomes de obras ou nomes comuns estrangeiros são grifados;
  • Números por extenso;
  • Não se indica o ponto de exclamação (frase exclamativa);
  • Não anota o cadenciamento da frase;
  • Podem-se combinar sinais. Por exemplo: oh::: … (alongamento e pausa)
  • Não se utilizam sinais de pausa, tipicos da lingua escrita, como ponto-e-vírgula, ponto final, dois pontos, vírgula. As reticências marcam qualquer tipo de pausa.

 

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Língua Falada e Língua Escrita

Língua Falada e Língua Escrita

 

LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA. Os gramáticos imaginam a fala como o lugar do erro, incorrendo no equivoco de confundir a língua com a gramática codificada.

As nossas gramáticas tratam as relações entre fala e escrita tendo como parâmetro a língua escrita. Este fato tem gerado uma postura polarizada e, por vezes, preconceituosa.

Para analisar adequadamente um texto (falado ou escrito), é preciso identificar os componentes que fazem parte da situação comunicativa: os papéis de cada participante, as suas características (interesse, classe social, etc.), as relações entre eles, o contexto, o tópico, o envolvimento dos participantes com o texto, num evento lingüístico particular, pois eles determinam os componentes lingüísticos desse texto.

RELAÇÕES ENTRE FALA E ESCRITA: CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO.

FALADA

  • Interação face a face;
  • Planejamento simultâneo à produção;
  • Impossibilidade de apagamento;
  • Sem condições de consulta a outros textos;
  • Ampla possibilidade de reformulação: é marcada, pública, pode ser promovida tanto pelo falante como pelo ouvinte;
  • Acesso imediato ao feed-back do ouvinte;
  • O falante pode processar o texto, redirecionando-o a partir das relações do ouvinte.

ESCRITA

  • Interação à distância (espaço-temporal);
  • Planejamento anterior;
  • Possibilidade de revisão para operar correções;
  • Livre consulta;
  • As reformulações podem não ser tão marcadas, é privada e promovida apenas pelo escritor;
  • Sem possibilidade de feed-back imediato;
  • O escritor pode processar o texto a partir das possíveis reações do leitor.

Especificamente, a fala apresenta possibilidade de:

  • Maior liberdade de estruturação sintática, tanto no que se refere ao caráter local (unidade sintática), quando global (a nível de inter-relacionamento de tópicos);
  • Maior uso de elementos contextualizadores;
  • Maior freqüência de marcadores interacionais;
  • Maior ocorrência de expressões generalizadoras.

Em textos falados pode-se detectar um caráter de maior fragmentação; já para os textos escritos a possibilidade de integração é mais acentuada.

A interação face a face pode gerar um envolvimento / distanciamento com alto teor de acentuação, que é identificado pela incidência de traços marcados lingüisticamente.

A análise dos textos (falados e escritos) revela que os falantes têm noção de que estão diante de duas modalidades distintas para a realização do mesmo tipo de texto. Assim, observam-se eliminação de marcas estritamente interacionais: marcadores convencionais (oh, sabe?, né?, ai?, aio?), bem como marcas prosódicas (alongamentos = des::truiram - hesitação = na/no - pausa = crença... - entonação = VELHO - etc.) e a inclusão da pontuação típica da escrita (vírgula, ponto e vírgula, ponto final, aspas).

Verifica-se o apagamento de repetições, redundâncias e auto-correções e a introdução de substituição por pro - formas ou elipses e ainda o uso de expressões sinônimas ou quase sinônimas, que buscam resgatar o mesmo referente.

Há diferenças na seqüenciação tópica de uma modalidade para a outra, que se revelam nas distintas formas de encadeamento sintático. Na fala, essa seqüenciação se dá através de marcas lingüísticas de continuidade (daí, aí, então, depois, etc.), possibilitando a produção de um texto mais extenso e pormenorizado. Na escrita, tal seqüenciação se estabelece visando a uma concisão, marcada por construções sintáticas em que o período é produzido de forma a resgatar as idéias sucintamente.

OPERAÇÕES DE PRODUÇÃO DO TEXTO ESCRITO A PARTIR DO TEXTO FALADO.

1ª operação:

Eliminação de marcas estritamente interacionais e inclusão da pontuação.

2ª operação:

Apagamento de repetições, redundâncias, auto-correções e introdução de substituições.

3ª operação:

Substituição de turnos por parágrafos.

4ª operação:

Diferenciação no encadeamento sintático dos tópicos.

5ª operação:

Tratamento estilístico com relação do léxico e da estrutura sintática, num percurso do menos para o mais formal.

Cf. NORMAS PARA TRANSCRIÇÃO: segue as normas 2“NORMAS URBANAS CULTAS: NURC/SP Nº 338 EF, 331 D2 E 153 D2”

VOCABULÁRIO:

TURNO: é a vez de sua fala – a maneira correta de tomar o turno é aguardar a vez, aguardar a dedinação (tonicidade) da fala ou aproveitar pausas longas. O interrompimento do turno é chamado de assalto, roubo...

OCORRÊNCIA DE PARES (pares conversacionais): é uma seqüência de dois turnos (perguntas/respostas) – na fala tem predominância de perguntas.

TÓPICO: relacionado ao texto falado. É o assunto que é falado.

MARCADORES: recursos verbais que operam como marcadores formando uma classe de palavras ou expressões altamente estereotipadas (aí?, sabe?, né?): observação: marcadores: de caráter verbal: utiliza-se de expressões padronizadas, estereotipadas; de caráter não-verbal: utiliza-se de expressões gestuais e de caráter supra-sigmental: utiliza-se da forma lingüística, como ex.: a pausa e o tom de voz.

TENDÊNCIAS: diálogos simétricos: quando vários indivíduos têm supostamente o mesmo direito à auto-escolha da palavra, do turno a tratar e de decidir; diálogos assimétricos: é o mais comum no dialogo: é quando um indivíduo em um grupo tem o direito de iniciar, orientar, dirigir e concluir a interação (entrevista, inquéritos, interação em sala de aula).

EXEMPLO: TEXTO PRODUZIDO POR G.G.A., 13 ANOS, ALUNO DA 7ª SÉRIE DO PRIMEIRO GRAU DE UMA ESCOLA PARTICULAR, DA CIDADE DE SÃO PAULO:

TEXTO FALADO2: A Civilização Mexicana

Primeiro eram os olmecas né? daí:: eles... começaram onde que é a Cidade do México hoje... começaram a fazer os templos aí depois veio os astecas né? que começaram tudo fizeram mais templos fizeram templos mais luxuosos assim fizeram mais crenças... religiões essas coisas assim... depois vieram os toltecas que deu origem à civilização mexicana e toda essa civilização milenar foi distruída pelos espanhóis que quando chegaram ao México assim é:: de:: s truíram tudo as pirâmides os templos aí foi o fim da... da civilização

TEXTO ESCRITO: A Civilização Mexicana

        Os primeiros foram os olmecas, que fizeram suas pirâmides, seus templos onde fica hoje a Cidade do México; tinham técnicas muito atrasadas. Depois os astecas, que faziam templos mais luxuosos e tinham técnicas mais aperfeiçoadas. Os últimos foram os toltecas, povo que deu origem à atual civilização mexicana.

         Toda essa civilização milenar foi destruída pelos espanhóis que invadiram suas terras e acabaram com muito do que encontraram.

Leonor Lopes Fávero

Maria Lúcia da Cunha V. de O. Andrade

Zilda Gaspar Oliveira de Aquino

Universidade de São Paulo.

sábado, 21 de agosto de 2010

A Educação na Idade Média


NOS MOSTEIROS
ESCOLAS GRATUITAS PARA CRIANÇAS DE TODAS AS CONDIÇÕES


Fora do mundo secular, um espaço social lentamente impôs uma nova perspectiva à educação infantil: o monacato .
Os monges criaram verdadeiros “jardins de infância” nos mosteiros, recebendo indistintamente todas as crianças entregues, vestindo-as, alimentando-as e educando-as, num sistema integral de formação educacional.
As comunidades monásticas célticas foram as que mais avançaram nesse novo modelo de educação, pois se opunham radicalmente às práticas pedagógicas vigentes das populações bárbaras, que defendiam o endurecimento do coração já na infância.
Pelo contrário, ao invés de brutalizar o coração das crianças para a guerra e a violência, os monges o abriam para o amor e a serenidade.
As crianças eram educadas por todos do mosteiro até a idade de quinze anos. A Regra de São Bento prescreve diligência na disciplina: que as crianças não apanhem sem motivo, pois “não faças a outrem o que não queres que te façam.”
O sistema medieval e monástico previa a aplicação de castigos. Na Bíblia há passagens sobre os castigos com vara que devem ser aplicados aos filhos; na Regra de São Bento há várias passagens (punição com jejuns e varas , pancadas em crianças que não recitarem corretamente um salmo), e esse ponto foi muito destacado e criticado pela pedagogia moderna, que, no entanto, não levou em consideração as circunstâncias históricas da época.
Naturalmente isso se deve a um anacronismo e preconceito que não condizem com a postura de um historiador sério. Basta buscar os textos de época que vemos a felicidade dos egressos dos mosteiros pelo fato de terem sido amparados, criados e educados. 


Ao se recordar do mosteiro onde passou sua infância, São Cesário de Arles (c. 470-542) diz:
“Essa ilha santa acolheu minha pequenez nos braços de seu afeto. Como uma mãe ilustre e sem igual e como uma ama-de-leite que dispensa a todos os bens, ela se esforçou para me educar e me alimentar”.
Por sua vez, Walafried Strabo (806-849), então jovem monge, nos conta em seu Diário de um Estudante:
Eu era totalmente ignorante e fiquei muito maravilhado quando vi os grandes edifícios do convento (…) fiquei muito contente pelo grande número de companheiros de vida e de jogo, que me acolheram amigavelmente. Depois de alguns dias, senti-me mais à vontade (…) quando o escolástico Grimaldo me confiou a um mestre, com o qual devia aprender a ler. Eu não estava sozinho com ele, mas havia muitos outros meninos da minha idade, de origem ilustre ou modesta, que, porém, estavam mais adiantados que eu. A bondosa ajuda do mestre e o orgulho, juntos, levaram-me a enfrentar com zelo as minhas tarefas, tanto que após algumas semanas conseguia ler bastante corretamente (…) Depois recebi um livrinho em alemão, que me custou muito sacrifício para ler mas, em troca, deu-me uma grande alegria…”
Esses são apenas dois de muitos exemplos que contam a felicidade e a alegria que os medievais sentiram com o fato de terem tido a sorte de serem acolhidos em um mosteiro. 

(Ricardo da Costa, Prof. Adjunto de História Medieval da Universidade Federal do Espírito Santo) www.ricardocosta.com riccosta@npd.ufes.br










Origem do Teatro






TEATRO FRANCÊS
ORIGENS (séc. XI e XII)
Religioso (Milagres, Mistérios)
          Um teatro sério renasceu durante a Idade Média com a Igreja Católica. Elementos teatrais foram introduzidos em festas tradicionais como a Páscoa e o Natal, com isto a prática teatral aumentou. No início só o latim foi usado, mas aos poucos outras línguas eram usadas, como no texto do começo do século XII "Sponsus" escrito em dialeto Portevin. Histórias da Bíblia e vidas de santos foram dramatizadas, e com o aumento do número de dramas, mais peças foram encenadas fora da Igreja e sem o Latim.
Profano (Moralidades, Farsas, Soties)
          Um fator crucial no crescimento do teatro cômico foi a apresentação oral de muita literatura medieval. As primeiras peças cômicas datam da segunda metade do século XIII. O poeta Adam de la Halle compôs duas peças únicas: "Le Jeu de la feuillée" e "Le Jeu de Robin et de Marion".
          O teatro profano eventualmente tinha suas próprias sociedades de atores. As sociedades freqüentemente apresentavam peças em três modos: primeiro uma sotie (sotias), um esboço satírico; depois uma moralité (moralidades), uma peça didática e alegórica; e por fim umafarsa. Por volta de 150 farsas sobreviveram desde os séculos 15 e 16. A maioria tem menos de 500 linhas e envolve montes de personagens atuando em histórias como aquelas de fábulas. Elas são formadas por rimas de versos octassílabos e podem incluir músicas. a melhor é "La Farce de maistre Pierre Pathelin" (1465), uma história travessa envolvendo um astuto advogado e um desajeitado pastor, entre os vários cômicos personagens.

TEATRO CASTELHANO
Teatro Religioso (séc.XV)
Durante o século XV, desenvolveram-se as moralidades, alegorias de temática social e religiosa, protagonizadas por entes abstratos como a humanidade, o bem, o mal, a morte e a castidade. As moralidades eram um dos três principais gêneros, ao lado dos milagres, que narravam a vida de um santo, e dos mistérios. Destinada à educação moral, surgiram nas classes médias nascentes das cidades. Pregavam sobretudo a abstinência dos sete pecados capitais, num contexto de rápidas e irreversíveis transformações sociais que ameaçavam os valores éticos da então decadente estrutura feudal. La celestina exerceu grande influência na Europa de então. Com elementos humanistas e renascentistas, representa uma etapa decisiva na gênese da comédia clássica.
La Celestina
La Celestina ou Tragicomédia de Calixto y Melibea, atribuída a Fernando de Rojas. Romance dialogado ou teatro romanceado, confirma o sazonamento do idioma já compendiado em 1492. A data de 1499 é a da mais antiga edição conservada da obra.
La Celestina funde elementos populares e cultos, heranças medievais e aquisições pré-renascentistas na linguagem, nas citações, no espírito e na atmosfera em que desenvolve os seus primeiros 16 atos (acrescidos de mais cinco, interpolados na edição de Sevilha, 1501).
Com a ação que se desloca de quadro em quadro e surpreendente mobilidade de espaço e tempo, repousa num enredo nuclear simples. O jovem Calixto se apaixona por Melibea, repelido inicialmente, socorre-se das artes da velha bruxa e alcoviteira Celestina para ganhar o amor de sua escolhida. Melibea, sob a influência de um sortilégio, logo se enamora de Calixto. Paga por seus serviços, Celestina se recusa a dividir o lucro com os criados de Calixto, que a matam, sendo no dia seguinte, decapitados em praça pública. Calixto consegue entrar na casa de Melibea, passando com ela a noite. Pela madrugada, de volta, ao escalar o muro do jardim, cai desastradamente e morre. Melibea se suicida, atirando-se de uma torre.
Impõe-se a figura de Celestina, quer pelo dinamismo das falas, de corte popular, com inserções cultas, quer pela composição excelelte do tipo da alcoviteira, dá o título à obra, enriquecendo a língua com o seu nome, que caracteriza a função da mediadora. Demoníaca na malícia, representa a figura humana em seu lado negativo e sem escrúpulos, sublinhando em expressões contundentes a corrupção universal e contemplando o amor de um prisma cego e qualquer idealismo.
Calixto e Melibea, levados no turbilhão passional, alternam expressões enfáticas, de linguagem livresca e rebuscada, com formas do falar cotidiano. Os personagens secundários usam do mais desabusado vocabulário, embora de suas falas brotem, de vez em quando, retorcidas construções e latinismos ou citações clássicas.
A peça não vive apenasdas heranças medievais e da desenvoltura expressiva já encontradas na obra dos Arciprestes de Hita e de Talavera, mas está igualmente embebida na tradição clássica: Ovídio, Sêneca, Têrencio, Plauto e Boccaccio.
Considera-se a obra como ponto de partida para o teatro e o romance posteriores, da literatura de plena renascença do Século de Ouro, em que viverão os pícaros marginalizados, como Lazarillo ou Sancho e Dom Quixote, numa continuação de processos e linguagem a caminho daquela fusão e síntese da contribuição popular tradicional e da humanística italinizante.

TEATRO ALEMÃO
ORIGENS (séc. XI)
Os mistérios alemães tem mais interesse religiosos do que literário. Quando, em 1322, se representou em Eisenach o Spiel von den zehn Jungfrauen, e o Conde Frederico de Turíngia, sentado entre os espectadores, ouviu que nem a intercessão da virgem conseguira que Jesus Cristo perdoasse às "virgens loucas" da parábola evangélica, o conde desmaiou, fulminado pela angústia reliosa, para morrer poucos dias depois, em desespero. No Spiel von Frau Jutten (1485), de Dietrich Schernberg, já se antecipam sentimentos de inquietação protestante e insatisfação fáustica.

TEATRO INGLÊS
ORIGENS (séc. X)
Os mistérios ingleses são quase em tudo o contrário dos franceses. O elemento humorístico é de primeira ordem, especialmente quando se trata dos pastores, nas cenas de Natal, ou das tentativas inúteis dos diabos de perturbar os acontecimentos da história sacra. As peças revelam notável força dramática. As coleções mais importantes são os 48 Miracle Plays de York (1350-1440), as 32 peças do ciclo Wakefield (1450), também chamadas Towneley Plays, porque conservadas outrora em Towneley Hall, Lancashire, e entre as quais se encontram as duas famosas Shepherd's Plays para Natal; e os Conventry Plays, de 1468, com as duas peças para Corpus Christi, destinadas a representação por alfaiates e tecelões. O teatro medieval apresenta-se, ao memso tempo, como expressão vigorosa da religiosidade e como obra de colaboração pacífica entre todas as classes da sociedade.
Colaboração pacífica perturbada às vezes pelos ciúmes entre as corporações, e limitada, em todo caso, aos dias de festa. Ainda no século XV aparecem, a par dos mistérios, as Moralités e Morality Plays, nas quais agem, como personagens alegóricos, as virtudes e vícios personificados; e, na ocasião de apresentar os vícios, entra logo a sátira social, acalmando-se apenas com a idéia de que, no fim, a Morte igualará todos. A época, possuída da idéia de morte, sente-se decadente, crepuscular.
O teatro inglês do século XV é um prolongamento dos já ciclos urbanos de Coventry e de Wakefield. Trata-se de uma dramaturgia essencialmente religiosa e popular, constituídas de mistérios (narrativas bíblicas) e, mais tarde, moralidade (alegoria dos vícios e virtudes humanas). Outra categoria de teatro medieval, o milagre (vida e santos), está ausente desses ciclos urbanos ingleses. As moralidades, por sua vez, acabariam por transformar-se nos interlúdios, que é a primeira forma de teatro profissional a ser empregadas na Inglaterra. Alguns desses interlúdios tornaram-se muito conhecidos como o de Castle of Perseverance (Castelo da Perseverança), Mankind (A Espécie Humana) e Everyman (Cada Homem).

 

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